O local era um aglomerado de camas de feno e deveria haver umas trinta pessoas em um espaço de vinte pessoas, a grande maioria eram os enfermos e doentes que foram trazidos para os cuidados médicos dos grandes sacerdotes, as freiras com suas beatas brancas desfilavam pelos corredores entre as camas inspecionando a condição de cada doente e se precisavam de algum tratamento médico, apesar do grande movimento estava sendo considerado um dia calmo visto que a maioria das pessoas estava lá lesões pequenas ou doenças leves que seriam melhores tratadas com remédios atuais e tempo.
-Médico! Rápido por favor!! -a enorme porta foi aberta com um estrondo de pressa e força atraindo todos os olhares de quem podiam olhar, por conta do horário muitos ainda dormiam e outros estavam tão cansados que chegar acordaram para ver o que acontecia.
Dois homens entraram arrastando um outro homem mais velho e pareciam com pressa gritavam para todos os lados desesperados pedindo por socorro, uma freira mais velha vestida com habitual beata branca e uma cruz pontiaguda no chapéu veio recebê-los em um andar rápido.
-Senhores! Aqui é uma casa sagrada! Um local de cura e descanso, não se entra assim na casa de Turla assim.
O templo de Turla era um templo voltado para a Deusa da Turla e recebia em um anexo grande todo os tipos de enfermidades, o anexo era de pedras escuras com mais de vinte camas de feno onde as freiras e os sacerdotes cuidavam daqueles com dificuldade. Turla era muito bem vista pelos mais pobres e se sustentavam através de doações e cobrando por pequenas benções. Muitos dos doentes e familiares pagavam com muito bem agrado as curas alcançadas. Aquela que se prezava por algum respeito era a supervisora das freiras, ela costumava ficar de prontidão para auxiliar e observar os tratamentos administrados pelas mais novas freiras.
-Emergência Irmã! Nosso pai está enfermo!
-O que ele tem?
-Não sei. -falou o homem que parecia mais jovem. -ele apareceu com essas marcas essa manhã. - ele puxou a cabeça do pai para cima mostrando um rosto suado claramente de sofrimento, mas a pior parte era as enormes rachaduras em seu rosto, parecia que seu rosto tinah virado de barro e agora se quebrava por algum motivo, as rachaduras eram negras e profundas, em alguns pontos se podia ver a carne enegrecida pulsante. A freira até recuou diante da monstruosidade que parecia.
-Você tem que ajudá-lo!- falou o irmão mais velho diante da hesitação da freira.
-Sim, sim. espere... Vou arranjar um lugar... -ela olhava em volta procurando por um sacerdote ou algum lugar para acomodá-lo. Ela tinha um desejo forte que aquele homem fosse mandado embora o mais rápido possível, aquela coisa não era normal.
-Aqui Irmã! -disse um homem alguns metros distante, ele era um homem alto com cabelo desgrenhados vermelho escuro, sua barba era pontuda e também tinha a coloração vermelha. ele vestia roupas casuais do tipo que os camponeses vestiam para trabalhos normais. -Eu já estou bem, traga ele para cá.
-É, mas...
Os dois irmãos se apressaram e passaram pela freire que ainda estava hesitando de cuidar do homem. Ela lembrou-se da entrada do "bom" homem, ele havia dado entrada pela madrugada trazido pelos guardas, um caso óbvio de bebedeira e estava perturbando a paz. Ela o reprovou com um olhar podia está condenando todas as outras pessoas aceitando aquele doente em tal ambiente, Ela foi mal-humorada diante do grupo enquanto acenava para outra irmã chamar o sacerdote o mais rápido possível.
-Muito bem o que aconteceu com ele? O sacerdote já está vindo.
-Estávamos de viagem quando nosso pai começou a falar que estava tossindo, sentia falta de ar, no dia seguinte após ele ir descansar mais cedo acordou com febre, assustados montamos no nosso cavalo mais forte e rápido, procurando por socorro. Ontem que essas manchas começaram a aparecer. Viemos o mais rápido que conseguimos!
-Fizeram bem, mas não estou reconhecendo esses sintomas é melhor esperar o sacerdote, posso dar algo para a febre, talvez;
O ruivo que estava ali terminando de pegar suas coisas na escrivaninha, olhou rapidamente para o homem na cama, puxou de uma bolsa pequena um pequeno recipiente de porcelana destampou rapidamente e cheirou. Ele puxou com força um fio de cabelo de um dos filhos que protestou de susto.
-Hei!
-Você me parece bem.
-O que, você é louco? Você quer brigar?
-Calma senhores. - falou a freira intercedendo. -ele é só um bêbado que entrou na madrugada queremos ver seu pai bem, uma briga aqui e especialmente aqui não vale a pena aqui.
-Você quer ver seu pai bem? -perguntou o ruivo sem se alterar.
-Claro!
O ruivo misturou o cabelo no recipiente e levou-o perto dos lábios onde começou recitar umas palavras rápidas, logo uma fumaça saiu ali de dentro sem que houvesse uma fonte de calor.
-Faça ele beber isso até o sacerdote chegar. Irmã? -o ruivo olhou para a freira. -Quando o sacerdote chegar diga que ele precisa de uma remissão vital, é bom comprar um galo por três dias, acredito que o sacerdote irá concordar com isso.
Todos ali encaravam aquela estranha figura que mantinha uma expressão neutra apesar de sorrir, ele pegou o que restara de suas coisas, pegou gentilmente a mão da freira e colocou na mão dela uma moeda de ouro menor.
-Isso foi pela bebedeira. Agora n]ao esqueça, faça ele beber até o sacerdote chegar, reemissão vital. três galos por três dias. Tenham um ótimo dia. Pela graça de Turla, Irmã.
Ele colocou sua mochila nas costas soltando um leve arroto e começou a sua saída para o lado de fora.
-HEY! Isso vai mesmo funcionar? -perguntou o filho mais novo ainda encarando o estranho ruivo.
Ele fez o sinal positivo. Quando saiu teve sua dor de cabeça aumentada pela claridade do sol, lamentou-se por ter bebido tanto na noite anterior, mas a cerveja era das boas e estava em uma aposta, ele tirou um chapéu pontiagudo da mochila, era um chapéu estranho com abas longas e e uma enorme pena avermelhada presa em uma faixa. Suas vestes eram simples, mas o chapéu demonstrava que ele tinha algum zelo por algumas peças de roupas.
O ruivo coçou a barba pensativo dando uma última olhada para o santuário de Turla, conhecia aquela doença por apenas livros que lera, não esperava que pudesse ver aquilo algum dia de sua vida, mas segundo o relato aquela família estava de viagem e não poderia saber de mais nada enquanto o homem estava de tratamento, então tratou de ir para a taverna da noite anterior rezando para que o taberneiro não tenha jogado fora seus pertences por conta da aposta. As ruas ainda estavam desertas naquele horário, ainda estava muito cedo para as atividades do dia e somente os comerciantes circulavam para escolher o melhor ponto do comércio. O ruivo foi até uma taberna que emitia um delicioso cheiro de comida no fogo,provavelmente a dona estava na cozinha preparando o café dos hóspede, ele tentou andar o mais silencioso possível quando a dona do lugar saiu da cozinha encarando-o
-Ótimo... Você... -resmungou ela voltando a prestar atenção no fogo.
Pego no flagra e desistindo do andar furtivo o homem se sentou na mesa do bar onde ficava de frente à cozinha. A taberna era um lugar aconchegante que também servia de bar à noite, havia um pequeno palco para algumas apresentações de bardos e umas 10 mesas e com cadeira suficiente para acomodar umas 45 pessoas, em um canto ficava as escadas para o segundo andar onde havia 4 quartos que eram colocados para alugar, a cozinha era simples com apenas um fogão e deveria ter uma despensa na lateral que ora ou outra a dona do lugar ia e voltava com algum ingrediente. A taberna de Chifre de Touro era uma das muitas tabernas da cidade Mynestone, prezando pela qualidade da bebida e preços moderados era uma das mais requisitadas e ótimo lugar para beber. A dona da taberna era uma mulher forte e de pele morena, seus cabelos crespos caíam pelos ombros, ela tinha herdado a casa de seu falecido marido, um homem que tinha apenas dois amores, sua esposa e a taberna.
-Bom dia Elena. -falou o ruivo para a dona da taberna.
-Você tem coragem de voltar aqui depois de ontem, hein?
-Sinto muito por ontem, as coisas saíram do controle um pouco.
-Um pouco?! Por acaso esqueceu o que aprontou diabos?
-Desculpe. -ele apoiou as mãos na cabeça. -Ainda não lembro de tudo exatamente.
Ela colocou um copo de uma bebida escura e quente em cima do balcão, apesar do gesto rude parecia que estava um preocupada com a saúde do hóspede.
-Beba. Para a ressaca.
-Obrigado.
Ele tomou um sofrido gole e esperou que o café fizesse efeito em sua mente. O cheiro de ovos e filé estava fazendo seu estômago roncar, ela fez-lhe um prato e antes de servir o prato afastou do homem.
-O café foi por conta da casa, a refeição não.
-Naturalmente, naturalmente. Quanto será? E por ontem?
-2 peças de médio ouro.
-Um pouco caro hein?
Com a mão livre Elena apontou para a parede onde deveria ficar um jogo de dados, mas em seu lugar havia um enorme bloco de gelo que cobria quase toda a viga, o gelo estava demorando para derreter. Sentindo vergonha o ruivo estendeu duas moedas douradas um pouco maiores que outra moeda dourada solitária em sua carteira. Elena colocou o prato em sua frente, o odor da refeição o atingiu em seu clímax e seu estômago roncou novamente.
-Me surpreende que ainda tenha dinheiro depois de ontem.
-Nem me fale... Foi uma estupidez aquela aposta.
-Presumo que sim.
-Aonde ela está?
-Onde ela mais estaria? No seu antigo quarto.
-E minhas coisas?
-Eu queria pegar suas coisas para vender e recuperar-me do meu prejuízo, mas ela não deixou, disse que você voltaria e teria negócios para tratar com você.
-Droga vou ter que esperar aqui então.
-Sim... Pelo ronco dela ainda vai dormir bastante.
-Certo... -disse ele tomando comendo um pouco. -Novamente me desculpe por aquilo. -disse ele apontando para o gelo.
-Não importa agora, pelo menos acho que posso servir uma bebida gelada.
O ruivo terminou sua refeição e quando a taberna ganhou vida ele deixou uma mensagem com a Elena que iria dar uma volta no mercado e voltaria mais ou menos na hora do almoço. Mynestone era uma cidade grande, com um grande muro protegendo o local, pelos portões principais entravam todo tipo de gente e raça, não era incomum ver um anão, halfling ou kajiit a raça dos felinos. Quem administrava toda a cidade eram o Conde Varak e um conjunto de nobres, nem sempre as leis eram justas, mas compensava com um forte zelo dos Escudos de Mynestone, uma poderosa força de soldados que patrulhavam e defendiam a cidade quando necessitavam, graças a eles desastres e invasões foram repelidos. O ruivo andou pela praça diversas vezes, só tinha uma única moeda no bolso e não sabia o que fazer para matar o tempo, seus pés o levaram direto para o templo de Turla, onde já havia uma fila de fiéis esperando para entrar, outra de familiares esperando visitar um parente e outra com os enfermos onde seria feito a triagem de acordo com a prioridade. Esperava encontrar o sacerdote ou a freira superior para saber se podia falar com a família do homem de manhã, uma freira se destacou do grupo e veio em sua direção:
-Oi com licença, você esteve aqui nessa manhã né? Você entregou um remédio para um paciente?
-Hum... Sim, sou eu.
-Poderia me acompanhar?
-Algo errado?
-Não, não. O sacerdote queria trocar uma palavra com o senhor.
-Está bem, pode me guiar.
A freira o guiou não para o anexo, mas sim para o prédio principal onde as pessoas desconfiavam que ficavam a moradia dos sacerdotes e freiras, mas também os casos mais graves. As paredes eram de pedra batida com o chão de de cerâmica de marfim, os poucos adornos que tinham no prédio eram votados para a imagem de Turla e alguns milagres. Ao contrário do anexo que tinha uma arquitetura mais simples a freira guiou por diversos corredores e uma escada para o segundo andar, até parar em frente a uma porta de madeira. Ela bateu e esperou a resposta de dentro.
-Entrem.
-A porta dava para um pequeno escritório com uma cama de montar a na parede esquerda, boa parte do escritório era preenchido por livros e uma enorme estante de livros, no centro havia uma mesa de madeira escura do outro lado estava sentado um homem já idoso, careca com cabelos nas laterais, seus olhos eram azuis brilhantes e ele tinha um cheiro característico de preparo usado para desinfectar feridas, estava também presente o filho mais novo e a freira superior.
-Sim, é este homem. -falou a superior.
O sacerdote acenou para a freira aprendiz e deixou que ela saísse.
-Então foi o senhor que esteve hoje de manhã aqui? Bebedeira é isso?
-Sim, infelizmente fui eu mesmo.
-Qual o seu nome, filho?
-Rufus, um andarilho e um pobre de seu nome.
-Entendo e me diga então Rufus, como você conseguiu diagnosticar aquela doença, por que pelo que sei eu ainda estou tentando entendê-la .
-Claro. Seu nome é [Broken Eye] na língua dos Versados.
-Você conhece a língua dos Versados?
-Sim, sou um estudioso dos Versos.
-Hum isso explica muita coisa.
-O que é que meu pai tem? -perguntou o filho mais novo.
-Então.. . qual é o seu nome e o de seu pai?
-Eu sou Davi e ele é Gustav. Somos mercadores, passamos em cidades para vender nossos produtos.
-Então Davi, você e sua família e imagino que seus funcionários também, passaram em um lugar que não deveriam estar, como uma ruína ou um lugar amaldiçoado. Essa doença é um efeito colateral de de alguma energia ter sido sugada.
-Alguma energia? Não energia vital?
-Não e sim ao mesmo tempo. Seja lá quem usou isso no seu pai sugou algum tipo de energia com ele para depois transformar em alimento para ela. Não conheço seu pai e nem nada, mas você notou um comportamento estranho vindo dele?
-Não... Talvez um pouco mais calado que o de costume, mas pode ter sido pela viagem.
Rufus olhou para o sacerdote com seriedade.
-A doença em si não é contagiosa, mas ela se não for tratada é fatal, recomendo o senhor ir na biblioteca e procurar algum exemplar sobre seres sobrenatural deve haver uma nota ou duas sobre o [Broken Eyes].
-Uma nota?
-É um efeito comum, mas que não é visto há algumas dezenas de anos. Acho que foi moda entre as criaturas das trevas, mas seu uso se perdeu. Se eu não tivesse visto um exemplar bem antigo jamais saberia o que era.
-Você não tem como emprestar esse volume?
-Ficou em minha cidade natal, demoraria uma semana com o seu cavalo mais rápido e sem parada, além de estar de posse de meu mestre, posso enviar um recado. Graças aos Deuses é um caso só, se fossem muitos talvez nem todos sobrevivessem.
-Mas e seu tratamento -perguntou Davi.
-Olhe, para repor a energia sugada de seu pai qualquer um pode emprestar um pouco de sua energia vital, mas ela é difícil de repor. Acredito que até mesmo o sacerdote necessite de três dias para está em forma de novo.
O sacerdote assentiu com ar tristonho.
-Imagine agora 50 ou até mesmo uma vila pequena, não teríamos algo pessoas suficiente.
-Pelos Deuses! Como podemos impedir que aconteça isso?
-Não vejo outra forma além de caçar quem fez isso e exterminá-la. É o único jeito que eu vejo.
-Sr. Rufus. -chamou o sacerdote. -se eu conseguisse juntar uma expedição pelas cidades que o Sr Gustav e seus filhos passaram, você nos emprestaria suas forças? Precisamos de toda a ajuda possível.
-Minhas reservas de dinheiro estão escasssas no momento, não sei se poderia entrar em um a jornada com um grupo assim.
-Você ousa cobrar... -começou a freira superior com raiva nos olhos.
-PARE! -esbravejou o sacerdote. -Estamos pedindo para alguém investigar um caso de uma criatura das trevas, não seria qualquer pessoa que aceitaria.
-Esse [Broken Eyes] há alguma outra característica?
-Bom pelo que me lembro ela permite roubar energia de várias pessoas ao mesmo tempo, suga pouco de cada um, mas a quantidade obtida pode ser maior que um exército em alguns casos. Os velhos e fracos aparecem o sintoma nos olhos primeiro, mas logo todos iriam sucumbir.
-Mas meu pai não é fraco.
-Lamento dizer Sr Davi, mas encontramos um leve tumor em seu pai, ele teria morrido em alguns meses se não fosse descoberto agora.
Davi atordoado pela notícia se deixou cair na cadeira.
-Não se preocupe filho, vamos cuidar de seu pai. -falou a Madre com compaixão.