As portas do bar foram abertas com fúria, dentro da taberna os clientes olharam para as três figuras que acabaram de entrar, um sujeito magro com costas inclinadas e um bigode ralo, atrás dele vinham dois brutamontes carregando suas armas,provavelmente pagos pela sua força e não pela inteligência. Eles sentaram em uma mesa, assustando os clientes próximos o chefe pegou o folhetim que estava em cima da mesa.
Uma nova ideia do novo dono, um dono excêntrico que achara que as pessoas podiam beber e ler ao mesmo tempo.
Ele pegou o folhetim passou os olhos e amassou jogando o papel no chão, os dois seguranças riram.
-Essa taberna não tem nada para beber não?
O dono da taberna apareceu, um sujeito normal com ar intelectual, ele veio trazendo três canecas e foi pondo em cima da mesa.
-Ah Agora sim. Então você é o Tabelião?
-Sim.
-Aposto que seu pai falou de mim, éramos muito amigos você sabe.
-Sei que você é o Rato, um dos peixes da cidade pobre, sei também que você incomodava meu pai diversas vezes e que ele sempre te expulsava de nossa casa.
-Hahaha! Espirituoso como o seu pai, mas estou aqui para oferecer certa ajuda para a sua taberna, aposto que você quer ampliar algo, ou até mesmo contratar novas pessoas. Eu posso ajudar com um pequeno empréstimo, assim como oferecia ao seu pai.
-Sei, primeiro você quer que eu crie uma dívida com você, para aí começar a sabotar o meu bar, você começa a fazer mudanças e no fim a taberna fica em suas mãos.
-Você não sabe do que está falando?
-O novo bordel no final da rua, não era uma padaria até você meter suas mãos Rato? E o ferreiro que antes trabalhava com pessoas simples e agora a forja só produz armas para pessoas que não pagam, são grosseiras e os piores falsificadores de moeda que eu já vi.
-Hum isso tudo aconteceu por força do destino.
-Não subestime minha inteligência Rato, você acha mesmo que não estou vendo você bancar o poderoso para cima de mim entrando na minha casa desse jeito e trazendo esses dois imbecis com você.
-Hey! -disse um dos brutamontes se levantando, mas foi parado pela mão do Rato.
-Não Golias, estamos aqui apenas para um cerveja. Não vamos começar uma briga.
-Sabia decisão Rato.
-Agora Tabelião, só espero que não entenda que devo permitir esse descaso contra a minha pessoa, mas sou um homem de boa fé que gostaria de oferecer 50 moedas de pratas pela nossa amizade.
-Desculpe-me, mas minha amizade não está a venda.
-Todo mundo tem um preço.
-Mas você não tem moeda que valha aqui nesse negócio.
-Não me falte o respeito, estou propondo meios de você expandir seu negócio.
-Como? Trazendo prostitutas? Talvez drogas ou até mesmo pessoas de má indole?
-Se você não quer eu posso oferecer para seu concorrente.
-Por favor, faça isso.
-Eu tenho muito apreço pelo seu pai e sua família, quero ajudá-lo a crescer.
-Não tenho nenhum apreço por você e nem quero sua ajuda.
-Você tem resposta para tudo não é?
-É uma taberna com livros onde mais você iria procurar por respostas?.
-Bom se você não quer minha ajuda eu não posso fazer nada, mas estamos em uma época perigosa pode acontecer algo a você ou até mesmo a sua taberna. -ao dizer isso os dois homens deram um sinistro sorriso com cumplicidade.
-Verdade, por isso contratei uma pessoa. Quero que conheçam a Mercenária. -uma figura enorme surgiu ao lado do dono, era uma mulher cheia de músculos carregando uma espada longa e letal. Ao vê-la Rato simplesmente pareceu hesitar e calcular os riscos.
-Ola Rato. -falou ela sem um sorriso no rosto.
-O-Ola não sabia que você estava aqui.
-Agora sabe e aconselho a você sair agora antes que eu me lembre daquele servicinho que você me prometeu e acabou sendo uma armadilha para eu ser presa.
-Eu não planejei isso... foi uma eventualidade.
-Você acha que foi uma eventualidade seu nome ter saído dos lábios de um homem preste a morrer pelas minhas próprias mãos?
-Er... -ele se levantou e deu alguns passos para fora, seus homens hesitaram por poucos tempo antes de levantar e seguir seu empregador.
O Tabelião e a Mercenária olharam para a saída do trio, eles estavam relaxados, mas ainda prestavam a atenção, ambos tinham experiência com esses peixes pequenos.
-Não sabia que você tinha sido presa. -falou o Tabelião.
-E não fui, se queriam me prender deviam vim com 50 pessoas e não 4.
-Que bom que contratei você.
-Mas ainda não negociamos o meu salário. -disse ela empunhando sua enorme pesada.
-Precisamos mesmo fazer isso? -disse o Tabelião empunhando seus machados.
-OH SIM!
Na cidade havia uma taberna peculiar, seu dono um antigo tabelião que herdara o estabelecimento de seu velho pai ainda mostrava o quão as palavras eram importantes. Atrás do bar, livros de sua coleção, enfeitavam a parede comida pelo tempo. Em cada mesa havia um conjunto de folhetins. Tudo em papel de segunda, afinal bebidas e livros não combinavam. As vezes o Tabelião simplesmente oferecia amendoim, uma caneca gelada de cerveja e ouvia as conversas do cliente. Essas são suas histórias.




