terça-feira, 19 de maio de 2015

O Agiota

 As portas do bar foram abertas com fúria, dentro da taberna os clientes olharam para as três figuras que acabaram de entrar, um sujeito magro com costas inclinadas e um bigode ralo, atrás dele vinham dois brutamontes carregando suas armas,provavelmente pagos pela sua força e não pela inteligência. Eles sentaram em uma mesa, assustando os clientes próximos o chefe pegou o folhetim que estava em cima da mesa.
 Uma nova ideia do novo dono, um dono excêntrico que achara que as pessoas podiam beber e ler ao mesmo tempo.
 Ele pegou o folhetim passou os olhos e amassou jogando o papel no chão, os dois seguranças riram.
 -Essa taberna não tem nada para beber não?
 O dono da taberna apareceu, um sujeito normal com ar intelectual, ele veio trazendo três canecas e foi pondo em cima da mesa.
 -Ah Agora sim. Então você é o Tabelião?
 -Sim.
 -Aposto que seu pai falou de mim, éramos muito amigos você sabe.
 -Sei que você é o Rato, um dos peixes da cidade pobre, sei também que você incomodava meu pai diversas vezes e que ele sempre te expulsava de nossa casa.
 -Hahaha! Espirituoso como o seu pai, mas estou aqui para oferecer certa ajuda para a sua taberna, aposto que você quer ampliar algo, ou até mesmo contratar novas pessoas. Eu posso ajudar com um pequeno empréstimo, assim como oferecia ao seu pai.
 -Sei, primeiro você quer que eu crie uma dívida com você, para aí começar a sabotar o meu bar, você começa a fazer mudanças e no fim a taberna fica em suas mãos.
 -Você não sabe do que está falando?
 -O novo bordel no final da rua, não era uma padaria até você meter suas mãos Rato? E o ferreiro que antes trabalhava com pessoas simples e agora a forja só produz armas para pessoas que não pagam, são grosseiras e os piores falsificadores de moeda que eu já vi.
 -Hum isso tudo aconteceu por força do destino.
 -Não subestime minha inteligência Rato, você acha mesmo que não estou vendo você bancar o poderoso para cima de mim entrando na minha casa desse jeito e trazendo esses dois imbecis com você.
 -Hey! -disse um dos brutamontes se levantando, mas foi parado pela mão do Rato.
 -Não Golias, estamos aqui apenas para um cerveja. Não vamos começar uma briga.
 -Sabia decisão Rato.
 -Agora Tabelião, só espero que não entenda que devo permitir esse descaso contra a minha pessoa, mas sou um homem de boa fé que gostaria de oferecer 50 moedas de pratas pela nossa amizade.
 -Desculpe-me, mas minha amizade não está a venda.
 -Todo mundo tem um preço.
 -Mas você não tem moeda que valha aqui nesse negócio.
 -Não me falte o respeito, estou propondo meios de você expandir seu negócio.
 -Como? Trazendo prostitutas? Talvez drogas ou até mesmo pessoas de má indole?
 -Se você não quer eu posso oferecer para seu concorrente.
 -Por favor, faça isso.
 -Eu tenho muito apreço pelo seu pai e sua família, quero ajudá-lo a crescer.
 -Não tenho nenhum apreço por você e nem quero sua ajuda.
 -Você tem resposta para tudo não é?
 -É uma taberna com livros onde mais você iria procurar por respostas?.
 -Bom se você não quer minha ajuda eu não posso fazer nada, mas estamos em uma época perigosa pode acontecer algo a você ou até mesmo a sua taberna. -ao dizer isso os dois homens deram um sinistro sorriso com cumplicidade.
 -Verdade, por isso contratei uma pessoa. Quero que conheçam a Mercenária. -uma figura enorme surgiu ao lado do dono, era uma mulher cheia de músculos carregando uma espada longa e letal. Ao vê-la Rato simplesmente pareceu hesitar e calcular os riscos.
 -Ola Rato. -falou ela sem um sorriso no rosto.
 -O-Ola não sabia que você estava aqui.
 -Agora sabe e aconselho a você sair agora antes que eu me lembre daquele servicinho que você me prometeu e acabou sendo uma armadilha para eu ser presa.
 -Eu não planejei isso... foi uma eventualidade.
 -Você acha que foi uma eventualidade seu nome ter saído dos lábios de um homem preste a morrer pelas minhas próprias mãos?
 -Er... -ele se levantou e deu alguns passos para fora, seus homens hesitaram por poucos tempo antes de levantar e seguir seu empregador.
 O Tabelião e a Mercenária olharam para a saída do trio, eles estavam relaxados, mas ainda prestavam a atenção, ambos tinham experiência com esses peixes pequenos.
 -Não sabia que você tinha sido presa. -falou o Tabelião.
 -E não fui, se queriam me prender deviam vim com 50 pessoas e não 4.
 -Que bom que contratei você.
 -Mas ainda não negociamos o meu salário. -disse ela empunhando sua enorme pesada.
 -Precisamos mesmo fazer isso? -disse o Tabelião empunhando seus machados.
 -OH SIM!

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