Capítulo
1- Quem ou O Quê?
Lá estava eu me espreitando nas
sombras, fazendo o mínimo som possível que chegava a ser tornar um sussurro no
meio do maracanã num jogo do Brasil, havia carros empilhados por toda parte,
montes de terra e lixo se erguiam e formavam pequenas montanhas. O chão era
completamente de terra há muito tempo que a vegetação desistiu de crescer num
lugar assim, o ferro-velho abandonado seria palco para um show, um show de
morte, sangue e justiça. Como primeiro ato o crime organizado, segundo ato EU e
no terceiro a Morte. As ferragens outrora carros e máquinas úteis agora eram
pilhas de sucatas, mas essa noite elas ganharam novamente um uso, elas eram o
meu esconderijo.
Por volta da uma da manhã os
carros aparecerão, era uma compra de drogas, os bandidos desceram dos carros se
examinaram e cumprimentarão-se calorosamente. De onde eu estava vi a maleta com
dinheiro ser aberta para eu poder contar e a da droga ser conferida, apesar de
ser um trabalho corriqueiro estavam nervosos, nervosos demais, hora de
trabalhar. Na minha mão esquerda tinha um arco feito de ossos, o do meio era um
osso curvo e grande, as pontas de arco curvavam para trás era feito por vários
ossos pequenos como as pontas da mão, a corda era feita de uma cartilagem
resistente e elástica. As flechas vinham do meu ombro direito três lanças
feitas de vários ossos pequenos ficavam a mostra, puxei duas e imediatamente
cresceu mais duas do lugar das retiradas.
Armei as duas flechas e apontei
na cabeça de dois bandidos que conversavam coisas corriqueiras, tencionei a
corda até minha mão encostar quase no meu ouvido e numa vibração duas colunas
de sangue explodiram, corri rapidamente e puxei mais duas e plum mais dois já
eram, corri um pouco mais e escalei uma coluna de carros e disparei
uma,duas,três vezes que foi acompanhado pelos corpos dos bandidos. Os sete
bandidos morreram sem nem ver o que tinha os atingidos, desci da coluna e caminhei
até eles, todos mortos e dei um sorriso.
Empilhei as drogas no chão e
cheguei à maleta com o dinheiro, como desconfiava havia um localizador entre as
notas, joguei entre as drogas e com um isqueiro e um pouco de gasolina pus
fogo. Peguei o dinheiro e coloquei na minha mochila e peguei “emprestado” um
carro acho que era uma Mercedes, parei na primeira lanchonete e no estacionamento
abandonei o carro e segui a pé. Enquanto bebia um copo de coca e comia um
X-burguer olhei para o céu, estava sem nuvens e percebi as estrelas mais fortes
brilhando conseguindo romper a luz de uma cidade. Não pude evitar que minha
mente vagasse pelo espaço e tempo.
Lembrei-me justamente dos meus
dias mais infelizes na terra, quando eu tinha oito anos andava com minha
vizinha para cima e para baixo, éramos inseparáveis e toda tarde íamos para uma
pequena clareira na floresta e brincávamos com o arco e flecha dela, disparando
num alvo preso numa árvore. Meus pais vivam modestamente e não tinha o luxo de
comprar um arco para mim, mas não me importava afinal garantia que eu e
Cristina ficássemos juntos, até que em um dia. Atirei uma flecha longe do alvo
e Cristina falou:
—Ih! Rodrigo que tiro foi esse?
Errou feio.
—Você ouviu isso?
—O quê?
Estava assustado, não é todo dia
em que um rugido de uma fera fala o seu nome, senti meu suor encharcar minhas
roupas e leves tremores desciam pela minha coluna fazendo meu corpo tremer e
estava ciente que Cristina tava começando a se assustar.
—Eu ouvi um-um rug-grito me-me
ch-chamando.
Ela se aproximou e deu um abraço
em mim e ficou comigo até que eu pudesse me acalmar.
—Melhor?
—Sim. Obrigado.
—Não tem o que temer, certo?
—É acho que tem razão e além
do...
Uma risada explodiu em minha
cabeça e falou “Não há razão para temer? HA HA HA espere até ver você, maldito
de sangue. HA HA HA.”
De repente senti pontadas de dor
pelo meu corpo e ao ver meus braços, ossos perfuraram minha pele e rasgavam
minha camisa. Gritei, mas que inferno era esse! Um tapa na cara me fez parar de
gritar, uma exclamação de dor e um olhar furioso de Cristina.
—Pare de gritar um momento
Rodrigo.
—... —não sabia o que fazer ela
me deixou em choque.
—Ai! Calma tenho certeza que tudo
vai se resolver se você se acalmar, tá vendo esses ossos pararam de crescer.
—Você pode vê-los?
—Claro que posso.
—Mas o que está havendo comigo?
—Calma, primeiro toda vez que
você fica calmo esses ossos para ou somem e segundo de que adianta essa
gritaria?
Não me acalmei, mas não me deixei
o desespero me tocar. Respirei fundo e de olhos fechados imaginei meu corpo
voltando ao normal, uma sensação nunca sentida percorreu meu corpo.
—Rodrigo!
—O quê?
—Veja! Sumiram muitos.—meus
braços ainda tinha alguns pontos brancos mas eram poucos.—O quê você fez?
—Nada, acho... só imaginei meu
corpo ao normal.
—Acho que esses ossos respondem
aos seus pensamentos. Vamos imagine sem nenhum osso, como era antes.
Obedeci e pelo gritinho de
exclamação deu certo. Já estava ficando tarde e resolvemos voltar no dia
seguinte e discutir o ocorrido. A noite foi inquieta e não preguei o olho nem
sequer um minuto, fingi para meu pai e para os professores esperando a tarde
onde poderia enlouquecer sem a olhar crítico das pessoas. Cristina apareceu na
hora marcada e antes que eu fizesse qualquer coisa ela pediu um minuto, ela
procurou um galho médio no chão e falou:
—Pronto, estou preparada para te
parar.
—Para quê o galho?
—Da última vez acabei machucando
meu braço, tenho certeza que não irá te machucar.
Ok...Isso já estava ficando
estranho, o quê ela ia fazer? Me bater? Tomara que não precise fazer isso.
—Então o que eu devo fazer? Por
que você quis me ver hoje, Cristina?
—Acho que você tem que controlar
esse dom.
—Hã? Você está doida?
—Veja bem Rodrigo se você não
tiver o controle total é bem provável que se você estiver em outra ocasião e
não ter o controle você poderá machucar as outras pessoais. Eu vou te ajudar,
não se preocupe.
—Não me preocupar?! Eu sou um
monstro, nunca mais poderei me misturar com as outras pessoas. Se afaste de mim
antes que você se machuque.
—Rodrigo! Não se sinta assim, é
tudo questão de se acostumar. Veja você ainda não reclamou ainda da dor.
Olhei para meus braços e vi que
eles adquiriram os ossos, mas não sentia nem sequer uma dor. Sorri para
Cristina, ela tinha descorbeto era tudo questão de controle, não deu nem três
horas da tarde e conseguia controlar perfeitamente as aparições e desaparições.
Apesar da estranheza sorríamos um para o outro contentes, naquela tarde
descobri que podia tirar os ossos e lançá-los da minha pele.
—Que massa agora você só precisa
comprar um arco para usar essas flechas infinitas.
Meu pensamento se fixou em um
arco, logo senti minha camisa rasgando horizontalmente de minhas costas com uma
mão puxei um arco feito de ossos e cartilagens.
—Rodrigo? Isso é maravilhoso.
Agora você é um super-herói.
—Que conversa é essa? Não salvei
ninguém até hoje.
Rimos mais um pouco, mas como
nada dura para sempre e de repente alguém vêm sacanaear com você. Quando
recolhi os ossos e nos preparávamos para ir embora, antes de saímos da floresta
nosso caminho foi barrado por um homem. Seus cabelos sujos e grandes caiam
sobre seu rosto manchado por fuligem e terra, ele vestia um sobretudo marrom e
havia claramente um brilho metálico, ele falou com um sorriso estranho no
rosto:
—Estão perdidos, guris?
—Não. —respondi rapidamente
tentando contorná-lo, mas as pernas dele acompanhavam meus dribles.
—É perigoso andar nessas bandas
desprotegido, guris, algo pode acontecer e me sentiria mal por isso. —seu
sorriso estranho e um olhar de malicioso faziam suas palavras saírem vazias.
—Nossos pais estão logo ali. —falou
Cristina tentando controlar seu medo, ela estava tremendo de medo podia sentir
enquanto colocava meu corpo para protegê-la.
—Então acho melhor levá-los até eles.
—ele avançou contra nós e imediatamente pulei contra ele gritando “CORRE!!!”,
depois recebi um golpe no rosto e perdi a consciência.
Escuro.
Muito escuro.
Meu rosto começou a arder, tentei
abrir meus olhos e descobri onde eu estava meus ouvidos captavam uma fogueira e
uma risada. Finalmente meus olhos entraram em foco e pude enxergar o bandido
amarrando Cristina enquanto passava a língua em sua face, por um momento me
senti preso, mas logo minhas mãos se soltaram facilmente uma onda de raiva e
força assolou meu corpo e nublou minha visão.
Senti que não havia controle do
meu corpo e só queria matar o filho da puta, mas antes eu tinha um dever para
com Cristina, meu corpo obedecia a um comando. Senti o arco saindo saquei e do
ombro direito saíram três flechas, puxei uma e tencionei o arco e atirei na
corda que prendia Cristina e ela caiu no chão. O bandido sacou o revólver e
apontou na minha direção e um clarão iluminou a floresta, de repente tudo ficou
calmo e nenhuma preocupação passou pela minha cabeça e pude reparar as estrelas
enquanto eu caia em direção ao chão, será que é assim que se sente uma estrela
cadente? O filho da mãe ainda não tinha terminado e apontou de novo a arma, eu
mantia um olho mirando nele enquanto via Cristina correndo em minha direção,
ela passou por ele num segundo e um segundo clarão iluminou a floresta, senti
um peso acertando meu braço. Estranhamente uma coisa macia encostou em minhas
mãos como se fosse uma tentativa de me manter na realidade.
MISERÁVEL! Agora nada mais me
importava Cristina foi atingida, lágrimas saíram poderosas de meus olhos, uma
dor explodiu em meu peito e todo meu corpo estremeceu, de repente senti várias
pontadas saindo pela minha pele. Depois disso só captei sons, sons de madeiras
rachando ou se quebrando, sons de milhares de coisas rasgando o ar e o
principal som de um grito assustado que virou de dor e depois silêncio.
Silêncio.
As estrelas brilharam
intensamente, mas logo foi substituída por uma floresta, uma nova floresta. As
árvores eram finas e se contorciam, os troncos eram cobertos por musgo verde e
havia uma estranha névoa impedindo de eu ver mais do que 10 metros adiante. Eu
encarava um caminho que se seguia reto até a névoa torná-la branca, como eu
havia chegado aqui? Onde é aqui? E o principal eu estaria morto?
—Morto? Não meu amigo, não está
morto e espero que não esteja tão cedo, senão não ia acompanhar seu sofrimento.
Mas porque caístes tão rápido?
Uma forma negra surgiu da névoa
branca em minha frente e avançava até parecer alguém vestindo um manto negro
que cobria o corpo todo impedindo de uma descrição mais detalhada. A única
coisa que se podia dizer era o estranho som de sua voz era uma fala mansa
mesclada com um rugido de algum animal. Um estalo, era a mesma voz que me
incomodará ontem.
—É era eu. Chamei-te aqui para
falarmos de seu potencial. —ele esperou alguns segundos. —Realmente estou
impressionado com sua dominação em tão pouco tempo, sendo sincero não esperava
que um humano fosse conseguir dominar tão rápido. Mas agora que você tem o
controle devo lhe avisar que seus outros sentidos irão aumentar gradativamente,
você será mais rápido, mais forte, sua visão, audição, tato, paladar e seu
olfato irão se tornar superiores aos humanos normais. —houve uma respiração
onde pude ver um pequeno brilho laranja e vi de relance um sorriso grande em
seu rosto, os dentes na verdade pareciam presas assassinas.
—Meus dentes? Relaxes, não podem
te ferir além do mais sinto que você será interessante de ver. Mas voltando aos
negócios vou lhe dar mais um presente, seu olho esquerdo terá o meu dom de
enxergar além do tempo. Por hoje acabei logo vão te encontrar e quero ter tempo
para lhe dar mais um presente, o da discrição, aprenda bem essa lição, meu
amigo.
A estranha floresta sumiu como se
fosse de açúcar e um rio atravessam por ela, as estrelas voltaram a brilhar no
céu, era uma noite sem nuvens onde podia enxergar a luz de cada estrela no céu.
Algo suspirou em meu ouvido e uma voz sufocada falava:
—Rodrigo, vo-cê me salvou. Prometa-me
que sempre será assim, corajoso e guerreiro, meu guerreiro. N-não se
pre-preocupe comigo es-estarei bem.
Os lábios dela encostaram
rapidamente na minha boca, havia gosto de sangue. Ela se afastou e voltou a
falar em meu ouvido:
—Sem-sempre te amei.
Novamente silêncio.
Acordei numa cama fina e um forte
cheiro de hospital entupiu minhas narinas, estava no pronto-socorro de meu município,
meu corpo todo estava doendo principalmente em dois lugares no tórax, onde a
bala tinha me acertado e no rosto sendo que eu não me lembrava de nada acertando
meu rosto. Um grito de exclamação e logo fui acolhido por dois braços gentis:
—Rodrigo! Tudo bem com você?
—Calma mãe me deixe respirar.
—Ah! Graças à Deus que você está
bem. Senti tanto medo que você não...
—Está tudo bem mãe, relaxe.
—Er... Com licença. —falou o
delegado com sua voz baixa e confiante. —Sei que ele acabou de acordar, mas é
preciso fazer umas perguntas, coisa rápida.
—Claro delegado, pergunte. —falou
minha mãe, acho que também estava curiosa sobre o que aconteceu, senão ela não
permitiria essa interrupção.
—Rodrigo, o que você pode dizer
sobre o ocorrido?
—Eu e Cristina havíamos estado na
clareira à tarde e quando voltamos fomos surpreendidos por aquele homem, ele me
acertou e eu desmaiei.
—Continue, filho.
—Bom depois acordei no acampamento
dele e... e...
—Acho que conseguimos descobrir
que ele subestimou vocês e amarrou nós bem fracos, deduzi pelas cordas que
encontramos lá. Depois disso um morador que estava ajudando nas buscas viu um
clarão e outro seguinte, o que foi comprovado pelos buracos de bala. A única
coisa que não descobrimos foi à causa da explosão.
—Explosão?!
—Não posso afirma que foi uma
explosão visto que não houve fogo, mas não conheço nada que teria destruído
tantas árvores em tão pouco tempo.
—O que aconteceu com o bandido?
Ele... fugiu?
—Não se preocupe o que sobrou
dele foi enterrado no local.
—“o que sobrou dele”?
—Não era nada bonito o cadáver,
mal podíamos identificar. Você viu algo estranho?
—Desculpe, delegado.
—Tudo bem, é uma sorte ter você
de volta.
—Mãe posso ver Cristina?
Um silêncio estranho ecoou pelo
quarto e a tensão era tanto que eu podia pegá-la com minhas mãos.
—O que aconteceu?
—Rodrigo, você foi o único
sobrevivente.
Não...não...NÃO!! Não podia ser
verdade Lágrimas caiam de meu rosto e eu não conseguia respirar, uma dor maior
alcançou meu coração e se firmou lá, eu não conseguia pensar e sentia que meu
corpo todo estremecia. Era o fim...
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