sexta-feira, 19 de abril de 2013

Skeleton Archer



Capítulo 1- Quem ou O Quê?

Lá estava eu me espreitando nas sombras, fazendo o mínimo som possível que chegava a ser tornar um sussurro no meio do maracanã num jogo do Brasil, havia carros empilhados por toda parte, montes de terra e lixo se erguiam e formavam pequenas montanhas. O chão era completamente de terra há muito tempo que a vegetação desistiu de crescer num lugar assim, o ferro-velho abandonado seria palco para um show, um show de morte, sangue e justiça. Como primeiro ato o crime organizado, segundo ato EU e no terceiro a Morte. As ferragens outrora carros e máquinas úteis agora eram pilhas de sucatas, mas essa noite elas ganharam novamente um uso, elas eram o meu esconderijo.
Por volta da uma da manhã os carros aparecerão, era uma compra de drogas, os bandidos desceram dos carros se examinaram e cumprimentarão-se calorosamente. De onde eu estava vi a maleta com dinheiro ser aberta para eu poder contar e a da droga ser conferida, apesar de ser um trabalho corriqueiro estavam nervosos, nervosos demais, hora de trabalhar. Na minha mão esquerda tinha um arco feito de ossos, o do meio era um osso curvo e grande, as pontas de arco curvavam para trás era feito por vários ossos pequenos como as pontas da mão, a corda era feita de uma cartilagem resistente e elástica. As flechas vinham do meu ombro direito três lanças feitas de vários ossos pequenos ficavam a mostra, puxei duas e imediatamente cresceu mais duas do lugar das retiradas.
Armei as duas flechas e apontei na cabeça de dois bandidos que conversavam coisas corriqueiras, tencionei a corda até minha mão encostar quase no meu ouvido e numa vibração duas colunas de sangue explodiram, corri rapidamente e puxei mais duas e plum mais dois já eram, corri um pouco mais e escalei uma coluna de carros e disparei uma,duas,três vezes que foi acompanhado pelos corpos dos bandidos. Os sete bandidos morreram sem nem ver o que tinha os atingidos, desci da coluna e caminhei até eles, todos mortos e dei um sorriso.
Empilhei as drogas no chão e cheguei à maleta com o dinheiro, como desconfiava havia um localizador entre as notas, joguei entre as drogas e com um isqueiro e um pouco de gasolina pus fogo. Peguei o dinheiro e coloquei na minha mochila e peguei “emprestado” um carro acho que era uma Mercedes, parei na primeira lanchonete e no estacionamento abandonei o carro e segui a pé. Enquanto bebia um copo de coca e comia um X-burguer olhei para o céu, estava sem nuvens e percebi as estrelas mais fortes brilhando conseguindo romper a luz de uma cidade. Não pude evitar que minha mente vagasse pelo espaço e tempo.
Lembrei-me justamente dos meus dias mais infelizes na terra, quando eu tinha oito anos andava com minha vizinha para cima e para baixo, éramos inseparáveis e toda tarde íamos para uma pequena clareira na floresta e brincávamos com o arco e flecha dela, disparando num alvo preso numa árvore. Meus pais vivam modestamente e não tinha o luxo de comprar um arco para mim, mas não me importava afinal garantia que eu e Cristina ficássemos juntos, até que em um dia. Atirei uma flecha longe do alvo e Cristina falou:
—Ih! Rodrigo que tiro foi esse? Errou feio.
—Você ouviu isso?
—O quê?
Estava assustado, não é todo dia em que um rugido de uma fera fala o seu nome, senti meu suor encharcar minhas roupas e leves tremores desciam pela minha coluna fazendo meu corpo tremer e estava ciente que Cristina tava começando a se assustar.
—Eu ouvi um-um rug-grito me-me ch-chamando.
Ela se aproximou e deu um abraço em mim e ficou comigo até que eu pudesse me acalmar.
—Melhor?
—Sim. Obrigado.
—Não tem o que temer, certo?
—É acho que tem razão e além do...
Uma risada explodiu em minha cabeça e falou “Não há razão para temer? HA HA HA espere até ver você, maldito de sangue. HA HA HA.”
De repente senti pontadas de dor pelo meu corpo e ao ver meus braços, ossos perfuraram minha pele e rasgavam minha camisa. Gritei, mas que inferno era esse! Um tapa na cara me fez parar de gritar, uma exclamação de dor e um olhar furioso de Cristina.
—Pare de gritar um momento Rodrigo.
—... —não sabia o que fazer ela me deixou em choque.
—Ai! Calma tenho certeza que tudo vai se resolver se você se acalmar, tá vendo esses ossos pararam de crescer.
—Você pode vê-los?
—Claro que posso.
—Mas o que está havendo comigo?
—Calma, primeiro toda vez que você fica calmo esses ossos para ou somem e segundo de que adianta essa gritaria?
Não me acalmei, mas não me deixei o desespero me tocar. Respirei fundo e de olhos fechados imaginei meu corpo voltando ao normal, uma sensação nunca sentida percorreu meu corpo.
—Rodrigo!
—O quê?
—Veja! Sumiram muitos.—meus braços ainda tinha alguns pontos brancos mas eram poucos.—O quê você fez?
—Nada, acho... só imaginei meu corpo ao normal.
—Acho que esses ossos respondem aos seus pensamentos. Vamos imagine sem nenhum osso, como era antes.
Obedeci e pelo gritinho de exclamação deu certo. Já estava ficando tarde e resolvemos voltar no dia seguinte e discutir o ocorrido. A noite foi inquieta e não preguei o olho nem sequer um minuto, fingi para meu pai e para os professores esperando a tarde onde poderia enlouquecer sem a olhar crítico das pessoas. Cristina apareceu na hora marcada e antes que eu fizesse qualquer coisa ela pediu um minuto, ela procurou um galho médio no chão e falou:
—Pronto, estou preparada para te parar.
—Para quê o galho?
—Da última vez acabei machucando meu braço, tenho certeza que não irá te machucar.
Ok...Isso já estava ficando estranho, o quê ela ia fazer? Me bater? Tomara que não precise fazer isso.
—Então o que eu devo fazer? Por que você quis me ver hoje, Cristina?
—Acho que você tem que controlar esse dom.
—Hã? Você está doida?
—Veja bem Rodrigo se você não tiver o controle total é bem provável que se você estiver em outra ocasião e não ter o controle você poderá machucar as outras pessoais. Eu vou te ajudar, não se preocupe.
—Não me preocupar?! Eu sou um monstro, nunca mais poderei me misturar com as outras pessoas. Se afaste de mim antes que você se machuque.
—Rodrigo! Não se sinta assim, é tudo questão de se acostumar. Veja você ainda não reclamou ainda da dor.
Olhei para meus braços e vi que eles adquiriram os ossos, mas não sentia nem sequer uma dor. Sorri para Cristina, ela tinha descorbeto era tudo questão de controle, não deu nem três horas da tarde e conseguia controlar perfeitamente as aparições e desaparições. Apesar da estranheza sorríamos um para o outro contentes, naquela tarde descobri que podia tirar os ossos e lançá-los da minha pele.
—Que massa agora você só precisa comprar um arco para usar essas flechas infinitas.
Meu pensamento se fixou em um arco, logo senti minha camisa rasgando horizontalmente de minhas costas com uma mão puxei um arco feito de ossos e cartilagens.
—Rodrigo? Isso é maravilhoso. Agora você é um super-herói.
—Que conversa é essa? Não salvei ninguém até hoje.
Rimos mais um pouco, mas como nada dura para sempre e de repente alguém vêm sacanaear com você. Quando recolhi os ossos e nos preparávamos para ir embora, antes de saímos da floresta nosso caminho foi barrado por um homem. Seus cabelos sujos e grandes caiam sobre seu rosto manchado por fuligem e terra, ele vestia um sobretudo marrom e havia claramente um brilho metálico, ele falou com um sorriso estranho no rosto:
—Estão perdidos, guris?
—Não. —respondi rapidamente tentando contorná-lo, mas as pernas dele acompanhavam meus dribles.
—É perigoso andar nessas bandas desprotegido, guris, algo pode acontecer e me sentiria mal por isso. —seu sorriso estranho e um olhar de malicioso faziam suas palavras saírem vazias.
—Nossos pais estão logo ali. —falou Cristina tentando controlar seu medo, ela estava tremendo de medo podia sentir enquanto colocava meu corpo para protegê-la.
—Então acho melhor levá-los até eles. —ele avançou contra nós e imediatamente pulei contra ele gritando “CORRE!!!”, depois recebi um golpe no rosto e perdi a consciência.
Escuro.
Muito escuro.
Meu rosto começou a arder, tentei abrir meus olhos e descobri onde eu estava meus ouvidos captavam uma fogueira e uma risada. Finalmente meus olhos entraram em foco e pude enxergar o bandido amarrando Cristina enquanto passava a língua em sua face, por um momento me senti preso, mas logo minhas mãos se soltaram facilmente uma onda de raiva e força assolou meu corpo e nublou minha visão.
Senti que não havia controle do meu corpo e só queria matar o filho da puta, mas antes eu tinha um dever para com Cristina, meu corpo obedecia a um comando. Senti o arco saindo saquei e do ombro direito saíram três flechas, puxei uma e tencionei o arco e atirei na corda que prendia Cristina e ela caiu no chão. O bandido sacou o revólver e apontou na minha direção e um clarão iluminou a floresta, de repente tudo ficou calmo e nenhuma preocupação passou pela minha cabeça e pude reparar as estrelas enquanto eu caia em direção ao chão, será que é assim que se sente uma estrela cadente? O filho da mãe ainda não tinha terminado e apontou de novo a arma, eu mantia um olho mirando nele enquanto via Cristina correndo em minha direção, ela passou por ele num segundo e um segundo clarão iluminou a floresta, senti um peso acertando meu braço. Estranhamente uma coisa macia encostou em minhas mãos como se fosse uma tentativa de me manter na realidade.
MISERÁVEL! Agora nada mais me importava Cristina foi atingida, lágrimas saíram poderosas de meus olhos, uma dor explodiu em meu peito e todo meu corpo estremeceu, de repente senti várias pontadas saindo pela minha pele. Depois disso só captei sons, sons de madeiras rachando ou se quebrando, sons de milhares de coisas rasgando o ar e o principal som de um grito assustado que virou de dor e depois silêncio. Silêncio.
As estrelas brilharam intensamente, mas logo foi substituída por uma floresta, uma nova floresta. As árvores eram finas e se contorciam, os troncos eram cobertos por musgo verde e havia uma estranha névoa impedindo de eu ver mais do que 10 metros adiante. Eu encarava um caminho que se seguia reto até a névoa torná-la branca, como eu havia chegado aqui? Onde é aqui? E o principal eu estaria morto?
—Morto? Não meu amigo, não está morto e espero que não esteja tão cedo, senão não ia acompanhar seu sofrimento. Mas porque caístes tão rápido?
Uma forma negra surgiu da névoa branca em minha frente e avançava até parecer alguém vestindo um manto negro que cobria o corpo todo impedindo de uma descrição mais detalhada. A única coisa que se podia dizer era o estranho som de sua voz era uma fala mansa mesclada com um rugido de algum animal. Um estalo, era a mesma voz que me incomodará ontem.
—É era eu. Chamei-te aqui para falarmos de seu potencial. —ele esperou alguns segundos. —Realmente estou impressionado com sua dominação em tão pouco tempo, sendo sincero não esperava que um humano fosse conseguir dominar tão rápido. Mas agora que você tem o controle devo lhe avisar que seus outros sentidos irão aumentar gradativamente, você será mais rápido, mais forte, sua visão, audição, tato, paladar e seu olfato irão se tornar superiores aos humanos normais. —houve uma respiração onde pude ver um pequeno brilho laranja e vi de relance um sorriso grande em seu rosto, os dentes na verdade pareciam presas assassinas.
—Meus dentes? Relaxes, não podem te ferir além do mais sinto que você será interessante de ver. Mas voltando aos negócios vou lhe dar mais um presente, seu olho esquerdo terá o meu dom de enxergar além do tempo. Por hoje acabei logo vão te encontrar e quero ter tempo para lhe dar mais um presente, o da discrição, aprenda bem essa lição, meu amigo.
A estranha floresta sumiu como se fosse de açúcar e um rio atravessam por ela, as estrelas voltaram a brilhar no céu, era uma noite sem nuvens onde podia enxergar a luz de cada estrela no céu. Algo suspirou em meu ouvido e uma voz sufocada falava:
—Rodrigo, vo-cê me salvou. Prometa-me que sempre será assim, corajoso e guerreiro, meu guerreiro. N-não se pre-preocupe comigo es-estarei bem.
Os lábios dela encostaram rapidamente na minha boca, havia gosto de sangue. Ela se afastou e voltou a falar em meu ouvido:
—Sem-sempre te amei.
Novamente silêncio.
Acordei numa cama fina e um forte cheiro de hospital entupiu minhas narinas, estava no pronto-socorro de meu município, meu corpo todo estava doendo principalmente em dois lugares no tórax, onde a bala tinha me acertado e no rosto sendo que eu não me lembrava de nada acertando meu rosto. Um grito de exclamação e logo fui acolhido por dois braços gentis:
—Rodrigo! Tudo bem com você?
—Calma mãe me deixe respirar.
—Ah! Graças à Deus que você está bem. Senti tanto medo que você não...
—Está tudo bem mãe, relaxe.
—Er... Com licença. —falou o delegado com sua voz baixa e confiante. —Sei que ele acabou de acordar, mas é preciso fazer umas perguntas, coisa rápida.
—Claro delegado, pergunte. —falou minha mãe, acho que também estava curiosa sobre o que aconteceu, senão ela não permitiria essa interrupção.
—Rodrigo, o que você pode dizer sobre o ocorrido?
—Eu e Cristina havíamos estado na clareira à tarde e quando voltamos fomos surpreendidos por aquele homem, ele me acertou e eu desmaiei.
—Continue, filho.
—Bom depois acordei no acampamento dele e... e...
—Acho que conseguimos descobrir que ele subestimou vocês e amarrou nós bem fracos, deduzi pelas cordas que encontramos lá. Depois disso um morador que estava ajudando nas buscas viu um clarão e outro seguinte, o que foi comprovado pelos buracos de bala. A única coisa que não descobrimos foi à causa da explosão.
—Explosão?!
—Não posso afirma que foi uma explosão visto que não houve fogo, mas não conheço nada que teria destruído tantas árvores em tão pouco tempo.
—O que aconteceu com o bandido? Ele... fugiu?
—Não se preocupe o que sobrou dele foi enterrado no local.
—“o que sobrou dele”?
—Não era nada bonito o cadáver, mal podíamos identificar. Você viu algo estranho?
—Desculpe, delegado.
—Tudo bem, é uma sorte ter você de volta.
—Mãe posso ver Cristina?
Um silêncio estranho ecoou pelo quarto e a tensão era tanto que eu podia pegá-la com minhas mãos.
—O que aconteceu?
—Rodrigo, você foi o único sobrevivente.
Não...não...NÃO!! Não podia ser verdade Lágrimas caiam de meu rosto e eu não conseguia respirar, uma dor maior alcançou meu coração e se firmou lá, eu não conseguia pensar e sentia que meu corpo todo estremecia. Era o fim...

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