sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Natal Feliz?

 Eu costumava gostar do Natal, sabe aquela reunião com familiares, a ceia farta, as luzes e os presentes divididos, era muito bom. Mas tudo mudou quando mudei de emprego, agora eu tenho que passar o natal em um cúbico de 4x6 metros, minha única luz era do teto e do computador em minha frente, o ar condicionado dava um frio a noite onde eu só podia ver pela janela.

 O relatório já estava quase completo, olhei mais uma vez para o relógio, 01:17, só poderia sair as 7, aquela seria uma longa noite, o prédio comercial que eu trabalhava tinha quase 20 andares, soube que fora os dois vigias havia mais quatro funcionários trabalhando naquela noite de natal. Suspirei com raiva, merda de escala. Digitei o mais rápido possível para terminar aquele maldito relatório. Ponto final.
 Olho para o relógio 01:49. Relatório estava pronto, abandonei minha mesa para poder esticar um pouco minhas pernas, o meu setor estava vazio e escuro, iluminado somente pela precária luz de meu computador.
 Pensei no meu apartamento com minha cama esperando, se eu estivesse lá poderia estar vendo tv, jogando ou até mesmo ouvindo uma música. Meus pais provavelmente estavam na ceia ainda, logo os convidados estariam se despedindo, minha mãe estaria guardando as comidas dando um fim para a ceia. E o peru cheirando até aquele momento.
 Entrei no elevador, 20 andares, por onde começar?
 Resolvi apostar pelo 10º andar onde ficava a cantina da empresa, provavelmente encontraria alguma pessoa por lá, as portas se abriram para a escuridão e lá no fim uma luz mostrava onde a vida estaria, fui andando até lá e aos poucos as risadas e sons foram crescendo.
 -... Aí eu falei para ela: Pega logo antes que ele pule para outra mulher. Meu irmão foi tiro e queda.
 Havia 4 homens conversando, um vigia e outros funcionários, eles contrabandearam bebidas alcoólicas para a empresa e estavam fazendo uma pequena festinha.
 -Raul! -falou um homem baixo com barba rala, seu nome era Marcos, um colega meu que mudou de setor recentemente. -Mais um condenado para passar essa noite trabalhando.
 -Nem me fale, espero que essa gratificação compense, Marcos.
 -Com certeza, toma pega. -ele estendeu a cerveja que aceitei com um sorriso.
 Fizemos um brinde e conversamos mais um pouco, sobre as gostosas da empresa, sobre nossos casos e sobre as loucuras, uma típica conversa de homens. Estava descrevendo a cena de um filme que eu queria fazer com minha namorada quando o rádio do vigia soou:
 -...Cadê você cara?
 -Ih foi mal gente o outro deve estar morrendo de sede kkkk. -ele pegou o rádio e disse: -Já estou descendo, tem muita ainda aqui.
 -Você está no 3º andar?
 -Não, to na cantina. Com os coitados.
 -Cara acabo de ver uma movimentação estranha no 3º
 Ele olhou para nós, talvez contando, talvez querendo uma confirmação.
 -Acho que está faltando mais um. -eu disse.
 -Sim o Douglas, ele ficou para terminar os relatórios de compra.
 -Em qual andar?
 -17º
 Não sei por que, mas senti a sala ficar tensa, enquanto isso eu fiquei estranhamente tranquilo. Se eu pude descer alguns andares com certeza o Douglas poderia também está dando algumas voltas. Tomei outro gole enquanto via o segurança pegar o elevador. O clima tinha esfriado na sala, Marcos consultou as horas muito cedo ainda.
 -Relaxa Marcos, provavelmente é o Douglas que está andando pela empresa, deve estar procurando algum de nós.
 -É deve ser isso mesmo... Mas sei lá cara a escuridão e passa a noite, mexe com a gente.
 -Com certeza -disse outro funcionário. -Ouvi que tem cada coisa estranha  que ocorre no trabalho a noite.
 -Sim, mas são histórias não é?-eu falei, claro que eu já ouvira falar das histórias, algumas tinha sido eu quem inventara. Saber mexer com o medo humano às vezes era divertido.
 -Bom eu ouvi que há um mulher de vestido branco que aparece do lado de fora da janela flutuando no ar, convidando os homens a pularem pela janela. -disse outro.

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