Em uma estranha taberna que não vendia só bebidas, como também
disponibiliza livros e cultura para os clientes, mesmo contrariando a
ordem lógica. Risadas foram ouvidas do lado de fora, o antigo tabelião e
agora dono do bar, foi ver o que estava acontecendo na rua, encontrou
um homem sorrindo feliz da vida, quase de maneira histérica, em cada
braço dele havia uma mulher estonteante, o tabelião olhou para aquela
cena, as duas mulheres pareciam adorar ele, e o homem parecia um novo
rico, as vestes eram da melhor qualidade, mas não foram postos de
maneira correta, sem zelo ou etiqueta adequada. O tabelião se aproximou
do padeiro, um aliado comerciante em uma cidade que os bons clientes
eram raros.
-O que está acontecendo?
-Sei lá, esse maluco está causando uma confusão. É melhor nem se aproximar.
-Hum.
O
tabelião contrariando o conselho do amigo se aproximou cauteloso, sua
visão periférica viu a guerreira na porta de seu bar, o tabelião lutara
com ela e agora ela estava trabalhando como segurança da taberna. Com um
gesto discreto ele pediu-a para ficar observando. O tabelião chegou a
uma distância segura e perguntou:
-Por que a risada?
-Sou o homem mais sortudo do mundo!!
O tabelião deu uma segunda nele e nas moças.
-Estou vendo o por que se sente assim, mas você pode controlar a sua emoção? Está afugentando a clientela.
-Maluco você não me ouviu? EU SOU O HOMEM MAIS SORTUDO DO MUNDO!!!
-E?
-Aqui veja, veja! -ele mostrou uma moeda de ouro.
-Sim uma moeda o que isso prova?
-Seu tolo azarado! -disse o homem de maneira alucinada, parecia um homem deturpado mentalmente. -Essa é a Moeda de Carliz
-Esse nome deveria significar algo?
-Veja isso seu azarado! -o homem jogou a moeda e o quando a moeda tocou
no chão um brilho dourado se expandiu, para o delírio do homem louco.
-Isso, isso, eu sou sortudo, sou o único agora veja como sou sortudo.
Ele abriu os braços e começou uma risada histérica, de repente um homem
bate com tudo no braço abertos, dois cavaleiros vinham logo atrás e
capturaram o homem caído, um deles falou para o homem sorrindo:
-Obrigado por capturar esse homem, ele acabou de fugir da prisão, passe
mais tarde na delegacia que você irá receber uma boa recompensa pela sua
ajuda.
O homem se virou sorrindo confiante para o tabelião que se mostrava nada impressionado.
-O quê? Você ainda dúvida da minha sorte?
-O que acontece se cair em outra posição?-perguntou o tabelião estudando a moeda.
-Não me interessa, eu sou sortudo, nunca irá acontecer nada.
-Do que está falando?
-Nada, eu sou sortudo, e agora acredita?
-Que seja. -disse o tabelião dando de ombros. -acredito em você...
-NÃO! VOCÊ NÃO ACREDITA!!! OLHE OLHE!! -o homem jogou a moeda e dessa
vez ao cair no chão uma fumaça negra formando a figura de um crânio saiu
da moeda.
Um forte vento veio do nada, que derrubou uma telha
de uma casa em construção, acertando uma tábua que foi posicionada como
uma alavanca para outras tábuas menores, essas foram jogadas no ar,
todas ao mesmo tempo e todas pontudas. As tábuas caíram sobre o homem e
suas mulheres, todas com a ponta para baixo. Não havia nada a se fazer,
os ferimentos foram sérios e os espectadores assistiram os longos
minutos de agonia daquelas pessoas. Após a morte as pessoas simplesmente
se afastaram horrorizadas, ninguém quis pegar a moeda, os corpos foram
recolhidos e por três dias aquela moeda ficou no lugar, ninguém se
atrevia pegar aquela moeda amaldiçoada. Até que em uma noite um par de
pés se aproveitando do tempo escuro foi até a moeda e colocou ela em um
frasco, em pé para que não voltasse a cair.
-Pensei que você não acreditava nisso. -falou uma voz feminina e forte vinda de trás do vulto.
-E não acredito. Mas não posso fazer nada, está afugentando os meus clientes.
-E por que simplesmente não a jogou em algum lugar?
-Eu não acredito em sorte ou azar, mas maldições? Isso eu tenho certeza que essa moeda é um item amaldiçoada.
Assim o tabelião e a guerreira voltaram a entrar na taberna, demorou
pelo menos uma semana antes que o perigo realmente passasse e tudo
voltasse ao normal.
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