sábado, 7 de setembro de 2013

Ankou

-Você está morto Vira-Lata.!!
 Quem gritava comigo era um garoto corpulento, com dentes faltando e com o almoço escorrendo pelos seus ombros. Eu estava atônito, não pela ameaça ou por finalmente alguém ter mostrado coragem para enfrentar o garoto mais desprezível do colégio, eu estava atônito por que fui EU que derramou o prato por cima da cabeça dele, eu também desviei do soco dele que o fez cair no chão aumentando mais a fúria do valentão, agora a parte estranha era que eu não me lembrava de ter feito aquilo, minha última lembrança era de eu estar em casa, tinha acabado de acordar...
 Os amigos do Guto se assomaram a roda que assistiam a tudo, eles gritavam e incentivavam a briga, a adrenalina saía deles e parecia me instigar para um combate, embora Guto fosse pelo menos um palmo maior que eu e seus braços diziam que podiam fazer a minha cara de quebra cabeça.
 -Guto... Qual é? Desculpa cara, não sei o que deu em mim.
 -Oh claro, não se preocupe quando eu te mandar para o hospital, os médicos olharam você.
 Ele abriu um sorriso perigoso e eu vi as veias soltando em seu pescoço largo e seu rosto ficando vermelho. Mal sinal já tinha visto ele ficando assim e Guto conseguia nos ensinar uma nova definição de dor.
 -Ou o veterinário, já que é lugar de Vira-latas.
 Ele avançou e eu recuei o máximo possível, mãos me impeliam ir para a frente, mas eles não estavam muito dispostos, então conseguir enconstar na parede, como um animal encurralado. Guto pegou de seu bolso seu soco inglês, ferramenta que ele utilizava quando trazia para o pessoal. É eu estava morto. Ele socou com força, antes que desse por mim, tinha desviado para a esquenda e com um chute o fiz cair sobre seu joelho e enterrei seu rosto na parede com minha outra mão. O silêncio tomou conta do recinto, as pessoas esperavam a minha morte, mas não acreditavam em minha vitória. Nem eu acreditava, além do mais eu nem sabia que podia me mexer daquela maneira, foi então que tudo se apagou. Quando acordei estava em minha casa, meu avô estava no chão suando frio e seus olhos fitavam a ponta de uma espada. Uma espada que EU segurava.
 -Quê...?!
 Imediatamente eu a larguei em um canto e recuei o máximo possível, sentia que meu coração ia sair pela boca e todo o meu corpo doía, mas tinha medo do que queria olhar. Assisti meu avô levantar e estalar seu ombro, em sua mão uma espada igual a minha, eu me deixei cair no chão e foi aí que vi preocupação nos olhos de meu avô.
 -Você está bem Ankou?
 -O quê?!
 -Você está me assustando, Ankou o que aconteceu?
 -O quê?
 Ele se ajoelhou diante de mim e eu recuei com medo. Medo que voltasse a ferir ele, medo daquela estranha escuridão. Eu me lembrava somente de Guto e somente de acordar, agora lá fora era noite, era impossível que tinha apssado tanto tempo. Os olhos de meu avô me estudava com cuidado, até que entendimento passou em seus olhos.
 - você se lembra da nossa sessão de treino?
 -O quê? T-Treino?
 O avô levantou a espada, olhei para ele e dpois para a sala, os móveis estavam fora do lugar, dando um espaço bem no meio sala, o vô também estava usando uma roupa diferente, uma acolchoada. O que estava acontecendo? Meu avô dizia treino como se fosse corriqueiro, algo comum. Mas que eu me lembrava aquela era a unica vez que segurei uma espada e ainda mais apontando para o meu avô. Um pensamento sinistro passou a minha mente, será que apaguei po rtanto tempo que fizera eu lutar com o meu avô? Puxei a espada dele para frente do meu rosto, precisa de um reflexo agora. Quem me encarava era um jovem de olhos escuros, cabelo curto e nariz grande para o meu rosto oval, tudo normal.
 Então não deveria ter passado tanto tempo, mas será que os dias...
 -Que dia é hoje?
 -27 de julho.
 Lembro-me que o despertador apresentava esse dia, um dia antes do meu aniversário que deveria ser daqui a pouco horas. Eu não sabia o que falar então contei para o meu avô tudo que tinha acontecido até agora, falei do que senti quanto eu avancei contra Guto e fiquei ainda mais desconfiado, pois o meu avô não demonstrava surpresa, apenas ouvia um pouco alarmado, aparentemente ele já estava esperando por aquilo.
 -Ankou quero que fique calmo. Respire.
 Mantive a minha cabeça entre os joelhos, como se lutasse contra os enjoos, meu próprio estômago girava com força, não aguentei e despejei tudo fora.
 -O que está acontecendo?! -minha mãe surgiu no portal, senti o seu cheiro doce tão familiar, mas não encarei-a o que ela pensave de mim, um neto que apontava para seu avô e quase o matou.
 -Parece que está ficando mais forte.
 -O que isso significa?
 -Não sei ao certo, era para durar por um tempo.
 Eu os olhei, minha mãe olhava preocupada para o meu avô e o que significava aqula conversa? Eu já não entendia mais nada.
 -O que está acontencendo? -perguntei com medo, medo do que estava acontecendo e intimamente com medo da resposta.
 -Vanha Ankou

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