-Thorn, acorde! -um chacoalhão. -Vamos, estamos de partida.
O menino Thorn acordou desorientado, na sa frente seu irmão Yori sacudia a cabeça desaprovando o cochilo do irmão mais novo, o garoto olhou em volta tinha mais gente dormindo perto do garoto, geralmente era os mais velhos ou os que estavam mais cansados da viagem, todo o lugar cheirava mal, suor humano misturado com o fedor que as peles soltavam. Aos poucos os gritos do pai chegaram até eles, o pai coordenava os outros do acampamento, fazendo os levantar as tendas e arrumar coisas já que estavam de saída. O garoto saiu para o lado do irmão, ele tinha dormido na parte de trás da carroça protegido do sol forte que castigava aquele terreno areioso, mas não impedia o calor, ele sentira suas costas gélidas por causa do suor que escorria de seu corpo.
-Meninos, venham! -disse o pai os vendo de longe.
Os dois correram para junto do pai, um homem alto e que carregava o símbolo de liderança daquela caravana, um bastão com a forma de águia, suas roupas eram o mesmo que muitas pessoas camadas de tecidos para proteger do sol e da desidratação, assim como muitos seus lábios estavam ressecados e quebradiços. A caravana não demorou a se mover como uma enorme cobra do deserto, seu ritmo era lento, embora constante, o pai dos meninos ensinava sobre as coisas mntado em seu cavalo, privilégio para quem era líder e o principal pela sobrevicência do grupo.
O sol era o maior castigo para quem atraesssava o deserto, a temperatura só aumentava pelo dia, todo cuidado era pouco quanto a preservação da pouca água, mas o maior perigo era as miragens e quando as pessoas não sentiam mais sede, a água era tão escassa que suas mentes pregavam peças dizendo ao corpo que não havia mais tanta vontade de beber o precioso líquido, então de uma hora para outra alguém caía de rosto no chão, sem alarme e sem nada que pudesse fazer.
Thorn saltou para o chão e num movimento sacou a sua espada de madeira e disse apontando para o irmão:
-Venha meu grande inimigo, enfrente-me se tiver coragem!
O irmão encarou o pai que deu um sorriso e deu ombros. O irmão sacou a sua espada e os dois começaram a sorrir um enfrentando o outro, foi quando o líder olhou para o leste e viu um cavalo cavalgando depressa. Ele reconheu um de seus batetores pelas cores de suas roupas, mas o que não significava nada, ladrões tinham todo o tipo de truque em suas mãos.
-Thorn, Yori! -os garotos olharam com urgência, sabiam cada tom de voz do pai e aquele dizia: chega de brincadeira e fiquem junto de mim.
Logo o batedor foi visto pelos outros que começaram a se aglomerar em um ponto com o pai dos meninos, alguns das carvanas se sesconderam nas lonas das carroças e atrás dos cavalos e preparavam para contra atacar com arcos e pedras. O batedor veio correndo e estendeu o punho para sua esquerda e a mão direita foi para sua cabeça.
-É um dos nossos. -mumurou alguém atrás do líder.
-Ou ele pode ter sido torturado até contar sobre o sinal de hoje. -disse o pai já segurando a empunhadeira da sua espada, uma espada de metal que já sentira o gosto de sangue em outro tempo.
-Não, é o Ian. -disse um que se aproximou mais para ver melhor.
O líder ainda encarava esperando uma armadilha, ele só relaxou quando Ian desmontou e parecia muito contente.
-O que foi homem? - perguntou um
-Vocês não vão acreditar!
O rapaz acordou nervoso, aquele sonho de novo, ele suava e seu peito arfavava, sua mão esquerda estava enfaixada até o meio do braço, ele sentia antigas dores voltando e segurou com força o o braço esquerdo, como se esperasse estancar aquela dor para fora, mas nao adiantou. A dor durou alguns minutos onde o rapaz segurava o máximo o grito que queria sair de sua garganta. De sua alma. Quando a dor cessou ele testou abrir e fechar as mãos, ao levartasse quase foi derrubado por um monte de roupa que estava espalhado no chão, observando bem o quarto estava tomado por um caos de roupas e outros objetos, o rapaz não se importou, apenas apertou o cinto de sua calça e vestiu uma camisa preta, logo ele resolveria aquele problema da roupa. Quando abriu a porta o som de jazz entrou rapidamente pelo cômodo, seu quarto fora projetado para que nada incomodasse seu sono, ele já tinha muita coisa para atrapalhar a sua noite. Ele desceu a escada que ligava até o primeiro andar e se situou em um clube/bar, a música vinha de dois novos músicos, as pessoas bebiam e riam aproveitando a noite para soltar todas as inibições que elas mantinham pela manhã. O rapaz se dirigiu ao canto do bar, o local menos frequentado e sem pedir o barman deixou um copo de bebida bem na sua frente.
-Outro sonho?
-Nem me fale... Como estão as coisas Shun?
-Tudo tranquilo chefe.
Shun se afastou para atender algumas garotas que acabaram de chegar, apesar de oriental ele tinha um rosto e jeito que conquistava fácil as garotas, Shun era alto e era o funcionário mais antigo do Éden, a boate pertencente ao rapaz. Ele nomeara assim, em homenagem ao pai que buscou seu próprio éden, claro que a definição de éden para o seu pai era diferente, mas Thorn não ligava, seu pai sempre dizia que deveria construir as coisas como ele queria. Shun voltou logo em seguida e notou que o rapaz nem tocara no copo. Uma atitude que já não era comum. A relação dos dois era estranha Shun era muito mais velho e sempre estava lá cuidando do Éden, já o rapaz passava boa parte do dia sentado onde estava, olhando para tudo e a todos. Alguns empregados novos não admitiam que Thorn continuasse a ser o dono, eles queriam Shun, um homem com tino nos negócios, mas Shun logo desmentia que ele era apenas o cara que servia a bebida.
-Thorn, foi o sonho de novo?
-Sim. -disse sem hesitar, não havia necessidade de esconder.
-Você precisa de ajuda, esses sonhos estão ficando cada vez mais frequentes.
-Eu sei. Estou assustado.
Shun se surpreendeu a coragem de Thorn era algo que o tinha impressionado no primeiro momento, Thorn sempre estivera cara a cara com o perigo e nunca nem sentira uma pontada de medo. Houve uma vez que um ladrão entrou exigindo todo o dinheiro Thorn simplesmente se levantou caminhou até o bandido até o cano encostar no peito dele e mesmo assim o ladrão não disparou, preferiu fugir. Mas esse foi mais um caso, desde que aceitara trabalhar para Thorn ele sentia que não havia provações que ele não pudesse superar e inspirar a lutar. Para Thorn está assustado aquilo deveria ser sobre uma coisa pior que a morte.
Thorn encarou aqueles olhos e sorriu:
-Eu sei o que você está pensando. Mas não há o que mudar.
-Você sabe o que os sonhos significam?
-Infelizmente sim. É um chamado.
-Chamado?
-Um chamado do Inferno. -disse Thorn olhando para a mão esquerda.
Os dois ficaram calados, apenas a música do bar tocava embalando e ressoando por todo o local. Quem
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