sábado, 7 de setembro de 2013

Sem título

 A porta do simples escritório foi escancaranda na passagem de um esbaforido jovem, o diretor analisou por uma fração de segundos, seus músculos relaxaram, o instinto de treinamento era sua melhor arma, e ele não abaixava guarda mesmo quando o sol estava a pico.
 -Diretor!
 Os olhos treinados identificaram o rapaz mais novo, seu nome era Deivison, um dos novos recrutas, ele não se destacava nas atividades então foi selecionado para o grupo de suporte e comunicação. Hoje, se não falha a memória do diretor, ele deveria ficar de vígia na torre norte, o que aconteceu para ele entrar assim e está em um estado tão eufórico.
 -Senhor...! -ele respirava com dificuldade.
 -Se acalme filho, respire e me diga o que aconteceu.
 -Senhor, polícia, estão... chegando.
 -Merda, aqueles malditos!!
 O diretor se levantou com força, o rapaz ficou pequeno diante da presença do outro, apesar de estar em uma idade já considerada velha, o diretor mostrava estar em excelente forma física e que em seus anos dourados era um verdadeiro guerreiro. O diretor trotou para fora da sala, o rapaz pulou fora e depois de ver a figura tratou de correr atrás do diretor.
 -Já dei o alarme de proximidade, o grupo deve estar terminando a camuflagem.
 -Excelente! -o diretor anotou mentalmente para parabenizá-lo pela iniciativa.
 -O que eles estão querendo?
 -Provavelmente deve ser uma tramóia daqueles malditos.
 -Devo alertar os os vigilantes?
 -Não, deixe que eles descansem, mas chamem os guardas e acorde o Klaus, para mim.
 -Sim senhor!
 Deivison saiu correndo para o alojamento, o diretor foi de encontro ao grupo que se reunia em frente a um galpão, eram jovens e homens  de diferentes idades, eles eram um pouco sérios demais e observavam o diretor se aproximar como se esperassem as ordens para começarem agir. O diretor olhou para os outros enquanto escondiam os equipamentos. Ele respirou antes de falar.
 -Todos sabem que as pessoas normais são problemas, elas podem está sobre influência ou pode ser qualquer coisa, mas não significa que iremos abaixar a guarda, mantenham-se atentos e a qualquer movimento estranho saquem suas armas.
 -SIM!!
 O primeiro carro demorou uns 10 minutos para atravessar a mata e estacionar na clareira principal do conjunto de casas, aos poucos foram chegando dois, três carros, ao todo seis carros e uma ambulância jogava luz no pátio, os policiais desceram, mas permaneceram perto dos seus veículos.
 "Estão cautelosos até demais." pensou o diretor, por um momento ele se perguntou se havia chance de não derramamento de sangue, quando se tratava deles, sempre havia derramamento de sangue.
 Uma figura feminina se aproximou, ela era forte, atlética e mantinha o cabelo preso em um rabo de cavalo, ela se postou do lado do diretor e assim como ele mantinha o olhar em todos os novos visitantes.
 -Klaus, desculpe por te chamar agora.
 -Não há problema, senhor. Qual é a situação?
 -Quem sabe, o pessoal ali está tão tenso quanto nosso grupo.
 Um homem de terno se destacou na frente do grupo ele retirou o blazer e mostrou com cuidado ele se desarmando, o homem se adiantou m frente ao prédio principal daquela pequena vila e disse bem alto:
 -Sou o detetive Marcos, houve uma denúncia contra essa vila! -ele mostou confiança na voz, alguns policiais estavam tensos, com os canos das armas apontando para o chão e o dedo preste a atirar. -Quem é o responsável por essa cidade?
 O diretor sorriu, ele se empenhou em transformar o acampamento em um lar seguro, é claro que aos poucos o local foi crescendo e parecia agora um lar. Ele se adiantou em frente ao grupo, saber que estava no meio de dois grupos, os dois pareciam tensos e acima de tudo claramente estavam armados, mas aquela situação era quase rotina para o diretor, tanto que seus nervos nem se alteraram ao responder.
 -Sou o responsável desse local, meu nome é Grecgor!
 -Muito bem Grecgor, você se importaria que eu olhasse sua residência?
 -Sei que estou afastado da cidade e de todas as suas leis a muito tempo, mas ainda me lembro muito bem que a polícia não pode invadir a propriedade alheia assim por vontade própria.
 -E que tal pela vontade do juiz? Estamos com um mandado de busca.
 -Perfeitamente, posso ver?
 Marcos entregou sem hesitar, Grecgor olhou a folha e fez uma anotação mental sobre as pessoas que assinaram o mandato, ele teria que ir atrás de cada um e pressioná-los apra saber de onde veio a denúncia. Seus olhos passaram pela ficha e imediatamente pararão na acusação, cárcere privado! Ele esperava algo do tipo porte ilegal de armas e Deus sabe o quanto tinham, ou fabricação de drogas que poderia explicar uma revista mais minuciosa, mas eles estavam atrás das celas?! Claro que havia gente presa, mas a prisão era delicado demais, só seus nervos treinados impediram de demonstrar surpresa, Marcos pareceu desapontado ao falar:
 -Se você não entendeu, a denúncia é sobre cárcere privado, parece que vocês tem pessoas presas em celas.
 -Isso é rídiculo. Aqui é uma vila pacífica, estamos vivendo longe da poluição e da corrupção.
 -Sim, Papai Smurf, não me interessa isso. Invés de estar em casa estou aqui no fim do mundo para veriguar o que vocês doentes estão aprontado.

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